não me deixe
esses olhos loucos
que é pouco
para o que eu
já vi neles:
infantis
e vermelhos
da tristeza...
que eu fiz...
alegres
e duvidosos...
e encantados
e saudosos
olhos de filha
e de mãe...
que eu vi...
Lindinha,
como você me faz feliz!
tive medo um dia
quando levantou do meu colo
que agora não sentasse mais
e você sorriu
sem me dar bola
com vontade de me chamar de pai

...e também chorou
e muito
quando se pensou
que calaria
quando pequeno
e matraquiaria
mais tarde
nu e fortuito
ao sereno...

nada tens meu:
nem sangue,
nem carne,
nem alma,
nada...
só lágrimas
que me destes com um gesto   
pelas mãos da mãe             
não parecem comigo
os olhos, o nariz ou a boca
as mãos ou as perninhas
tão pequenininhas!
mas assumo:
sinto meu sangue fugir
para encontrar o seu
coisa minúscula!
o que é o "sangue"
quando se ama um deus?
o sangue escarlate
que criou o leite
que hoje sugas
no farto peito,
lembrou-me o fato
-que não aceito-
"Não é nada seu."
mas se nada aqui é perfeito!
um dia vais saber           
sobre sentimentos
e inveja
cerveja e
relacionamentos...

 

...dias depois nasceu Gustavo
calvo e cabeludo
olhudo e sorrindo
lindo e carnudo
quase fala o Bebê!
deu vontade de beber
seu sorriso e sua urina
as lágrimas da Avó
a felicidade da Menina
e beber o Pai e a Lindinha
foi uma angustia, Gustavo...
que sejas augusto
e gostes de gastar
gotas do seu gostar
comigo, com seu umbigo
com amigos... bem dividido
também vi seus vídeos
com olhinhos,
narizinho,
bochechinhas...
reconhecias a mãe naquela foto?
é mesmo ela, a Lindinha!
agora espero a hora
de te pegar
para você me molhar
e me sujar
e eu sorrir mesmo assim

 

Adeus, felizes campos, onde mora Cris
E nunca interrupta paz, júbilo eterno!
Salve, perene horror! Inferno, salve!
Recebe o novo rei cujo intelecto
Mudar não podem tempos, nem lugares;
Nesse intelecto seu, todo ele existe;
Nesse intelecto seu, Cris até pode
Do Inferno Céu fazer, do Céu Inferno.
Que importa onde eu esteja, se eu o mesmo
Sempre serei, — e quanto posso, tudo?...
Tudo... menos ter Cris, essa que os raios
Mais poderoso do que nós fizeram!
Eu aqui serei livre,
Cris o Inferno não fez para venerá-la;
-mas lanço-lhe oculto uma reverência-
Poderei aqui reinar seguro.
Reinar é o alvo da ambição mais Nobre,
Inda que seja no profundo Inferno:
Reinar no Inferno é a minha penitência
de minha natureza é ser de Cris escravo.
(Milton entenderia o meu devaneio se
a visse em seus sonhos como eu vi)
Morena da língua furada de piercing
do sorriso encantado de Alice
do Pais das Maravilhas e do Natal
Índia Oriental e Ocidental
cabocla da boca barroca,
surrealista e futurista
teu elemento é o Ar
por isso levitas entre nós
e de nós leva a voz,
a loucura, a razão
o pênis, o coração
e o que mais quiser levar  
escuto o bater de tuas asas
pela sala desta casa
tua sombra sobrevoando
a porta do meu quarto
teu sorriso atravessando
o pequeno porta-retrato
sinto o teu cheiro,
do suor ou do Pachouli,
entre os meus cabelos
e sei que acordarás aqui
entre meus tornozelos
e minhas pernas amanhã
mas não te assustes
não é um poema erótico
é apenas uma maçã
que a Serpente te dá
para que degustes          
Tamíris, se sorrires
desse jeito para mim
serei de onde quiseres
irei aonde fores
sentirei todos os prazeres
e todas as dores
mas isso seria fácil
pra mim ou pra qualquer um
sua boca, sua cor,
seus cabelos, seu nariz
te fazem mesmo ser
a Morena Raiz
e também o caule,
os frutos, as flores,
as cidades, os desertos...
a síntese de todas as cores
és a minha voz e minha íris       
sem você, Tamíris,
não existe lugar algum
como Você ficou em uma Cela
sob a guarda armada
de Vinte Homens?
lutou com as armas
que tinha? enguarda!
toché!
empunha a espada
que os homens são escudo
mesmo armados de tratantadas,
canalhadas, bacoradas, que nada!
Vinte Homens ao Seu lado
implorando,
chantageando,
ameaçando,
explorando...
e Você, Prisioneira do Estado
que estupra e filma
refém de juízes e delegados
que não suportariam ficar
com os Vinte Homens Armados
pagaram para Tê-la?
pagarão para Vê-la
mas não apagarão essa tela
implodindo ou queimando a Cela
este país que Lhe deplora
agora implora Seu perdão
que não virá
nem um olhar de soslaio
merece este país
vá, vá ser Criança      
em outro Lugar
olhos que me fazem ver
o que não há
ouvidos que escutam
sem ninguém falar
e sei que o que eu
escuto e vejo está lá
e sei que sabendo disso
tenho muito parar dar
a quem não consegue
ver e escutar o que não há
deixe bangladesh
viver, deixe
com elefantes
e peixes
ciclones e vacas
água poluida
e tsunamis
e fome e pobreza em Daca
com palavra de honra
encatamento de serpente
e o banco Grameen
para lá de Bangladesh
os homens temem
o que pode acontecer
para lá de Bangladesh
Deus não vem
manda a oração do Angelus
para quem sobreviver
deixe Bangladesh
viver, deixe
e não se feche
para Bangladesh
porque todos estamos
para lá de Bangladesh  
Fê Loira,
você doira
minha pele
com a língua,
como o Sol que bronzeia    
o seu corpo leve       
de Deusa na piscina.
Você, Fê,
é a Última Tentação
e a Ùltima Ceia.
Meu Pecado
e Redenção. E creia,
quando veste uma "sainha
com pluminhas"
e beija bocas
que não são minhas,
fico enfurecido,
e rasgaria toda a sua roupa
deixando-lhe apenas de calcinha.
E na tara desse delirio
bateria na sua cara
com um Lírio
ou com o que você pedisse;
e alcançaria o orgasmo
quando você ajoelhada me visse
em pé, maravilhado em espamos...
a Violência está nas ruas?
não a vi
veste máscaras deve ser
não haveria de andar nua!
veste grifes
trapos
uniformes
sungas
quimonos
fardas
ternos          
e Túnicas Sagradas...       
não vi armas em suas mãos
apenas uma leve fumaça
um cheiro de enxofre
e uma foice no chão
mas vi sangue!
sangue Juvenil
e Feminino
vi sangue!
sangue viril
e Vermelho
vi sangue!
sangue senil
e azul
e lágrimas!
em muitos Olhos de joelhos
a Violência tinha bandeiras
desfraldadas com emblemas
da Fome
do Estupro
do Assalto
da Corrupção   
do Sequestro
da Ameaça
da Ignorância
da Religião
e uma camisa branca pintada:
"VIOLÊNCIA NÃO!"                   
por fim, vi casas assustadas
intransponíveis
sendo invadidas por Estranhos
Alguém ali pedia Ajuda   
mas ela não poderia vir
já não havia Pastor para o Rebanho
e não havia outro Mundo...
crescestes para mim
em um entardecer
e eu estava ali
te festejando
nas Crianças
no Carnaval
nas Juninas
nos Feriados em geral
e no Natal...ali,
Nathaly,
sempre perto de você
onde os Anjos
e seus Trompetes
delimitavam o Céu
que tu me destes
quando te conheci,
Suave Pétala;
sobes a colina,
Dona do Sim e do Não,
da Floresta
e da Cidade,
e determina
quando termina
a minha Idade
Sales,
espanta os goles
da garganta
e canta teus males.
Só bebes, seu Mole!
(e não sois Macedo
nem Soares)
Castiga o fígado!
E há quem diga
que sois bígamo:
Solidão e Bebida.
Tua resposta?
É o sorriso indulgente
de quem está por perto sempre
mesmo quando dá às costas.  
...Você já sabe
o que fazer na noite:
ler, beber e quase sufocar...
Com um sabre
você abre
o jogo
e surpresa...
Ninguém está lá...
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